24.1.14

Nós debatemos e debatemos bem

minhas conclusões sobre o seminário do último dia 22, no IFRN, que debateu violência policial, desmilitarização e direitos humanos:





nós debatemos e debatemos bem.

conhecemos um pouco da história das nossas polícias e esmiuçamos a lógica militar que engendra o modus operandi dessa instituição, composta de cidadãos comuns , tão normais quanto qualquer um de nós.

lançamos nosso olhar crítico desde o momento inicial do treinamento desumano pelo qual passam todos aqueles que almejam ser policiais, até o instante em que o PM ,na ponta, age com extrema violência contra aqueles que estão abaixo dele na lógica de hierarquia e obediência.

chamamos a atenção, e este constitui um ponto central, pro fato de que não é sobre qualquer cidadão que recai o peso da violência policial. pois a lógica militar opera contra um inimigo e na sociedade brasileira, este inimigo tem cor, classe social e território específico: o pobre negro de periferia.

lembramos de Amarildo que habitou todos esses lugares sociais de opressão, e que hoje habita nosso imaginário de resistência e luta.

denunciamos as violações de direitos humanos dos próprios policiais, estes que quase sempre vem dos mesmos lugares sociais marginalizados.

reconhecemos que a desmilitarização, só e somente,  não resolve todos os nossos problemas.

apontamos responsáveis, nos colocamos como responsáveis. pois o conjunto da sociedade brasileira cria e legitima a policia que tem.

nos demos conta, o que pra mim é a coisa mais importante de acontecer, que a gente nunca tinha pensado que outra polícia é possível. 

por fim, concluímos que, sim, é possível que nós que construímos esta instituição violadora de direitos humanos básicos, dos próprios policiais e dos cidadãos mais pobres, construamos uma outra polícia, cidadã, em harmonia com uma sociedade verdadeiramente democrática. 



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