31.12.13

O que este espaço não é


neutro,
espreme-que-sai-sangue, 
dedicado a defender o "melhor" pra "Santa Cruz", 
algo que vai me garantir popularidade e por conseguinte um empreguinho massa na prefeitura :( 

por que só NOUTRO MUNDO e não na cidade santuário,  alguém que discute privilégio, denuncia  racismo, machismo, homofobia, e defende bandeiras impopulares, como a descriminalização/regulação das drogas, descriminalização/legalização do aborto, desmilitarização das polícias, estado laico (óh god, dia do evangélico?? praça da bíblia???), regulação da mídia...

será bem-vindo. 

p.s. sobre política partidária/institucional: meu voto ainda é da Dilma, por que eu não sou índio, é claro! :)


30.12.13

Quem são os que vão pra cadeia e pro cemitério?

A parte mais importante do Curta “De quem é a culpa?”, produzido pelo grupo de teatro Lua Serena que estreou na última sexta-feira, dia 27, no Candinha Bezerra, foi sem sombra de dúvidas o depoimento de uma senhora, moradora do bairro Paraíso que teve o filho assassinado pelo envolvimento com o tráfico de drogas. A análise histórico-sociológica do lugar social que o jovem assassinado ocupava: homem, jovem, negro, morador de periferia, nos permite ir além do reducionismo liberal que culpa o indivíduo e nos leva a enxergar em toda a sua potência o racismo estrutural da sociedade brasileira. 

Noutro momento escreverei sobre a outra dimensão do problema que é o fracasso da utopia proibicionista. Por hora, quero chamar a atenção pra uma questão essencial que ficou de fora de toda a discussão. 

Apesar dos atores brancos nos papéis de mãe e filho representando o drama das mortes violentas causadas pelo tráfico, é do drama de pessoas negras que o Curta fala. Por isso  é fundamental olhar pra trágica história da mãe que se dispôs a nos contar o seu sofrimento. O martírio da mãe negra e pobre que está imersa numa realidade social que independe de sua vontade, sem saber que, na sua quase totalidade, o seu destino e o destino dos seus já está traçado. Por que ser pobre e negro no Brasil significa ser discriminado duas vezes, uma pela pobreza, outra pela cor.1  


Em algum momento do debate, alguém proferiu a seguinte máxima:

"Quem se envolve com drogas, das duas uma: ou vai parar na cadeia ou no cemitério." Será mesmo? Não é isso que dizem as pesquisas sobre os homicídios e sobre as pessoas presas por tráfico de drogas no Brasil.


Para ficarmos apenas com o exemplo da nossa cidade, quantos filhos brancos de classe média ou das famílias tradicionais de Santa Cruz foram assassinados nos últimos anos pelo consumo de drogas ilícitas ou no envolvimento com o tráfico? Que eu saiba, nenhum. Para estes, nem cadeia nem cemitério. Todo o apoio da família, proteção da polícia, etc. 

Cadeia ou cemitério somente para os negros pobres. Alguém tem dúvidas disso? Se não temos, então por que não tocamos nessa questão? Por que?

Coloquemos então, com todas as nossas forças a responsabilidade por toda essa violência cotidiana, pela morte do filho da corajosa senhora, por todas as vidas perdidas, na conta do racismo  estrutural e da nossa política de drogas proibicionista que financia o tráfico e que manda pra cadeia e pro cemitério seletivamente os negros pobres vítimas de um engenhoso apartheid racial e social. 


Dar-se conta disso, nos colocará mais próximos da solução, do que se continuarmos a negar a existência do preconceito racial e da lógica de extermínio que ele engendra. 



Referências






26.12.13

Pra início de conversa


Os gatos pingados da esquerda santa-cruzense, se quiserem começar a fazer algum arranhão nos sólidos alicerces do condomínio tombista, precisam mudar radicalmente de estratégia. Não dá mais pra insistir na surrada tecla da moralização do voto. 

A gente pode espernear, mas os políticos profissionais vão continuar comprando os mandatos a cada quatro anos e as pessoas vão continuar se vendendo, desde o pobre por um milheiro de tijolo a um classe média por um emprego na prefeitura. Não tem jeito. A democracia liberal na sociedade capitalista já nasceu com seu destino traçado: tornar-se ela também mercadoria.


E isso se reflete na total falta de interesse do grosso da população mais pobre pelo que acontece na câmara de vereadores e pelo que fazem os seus ditos representantes.