27.1.14

Tecendo a opinião pública

Uma transformação radical do Brasil tem que passar, inevitavelmente, por uma radical democratização das nossas mídias.  Se não for assim, necas de mudança. 

Lembrei-me disso hoje pela manhã ouvindo o programa do padre na rádio Santa Cruz.

Pensem numa luta desigual, meus amigos.

Os conservadores que fazem a cidade santuário tem um programa todo dia bem cedinho pra difundir sua ideologia, como se fosse a única na fáce da terra. Mais tarde, pra fechar com chave de ouro, vem o Salatiel, o infeliz do Datena e o Resende.

Digaê.

Daí a gente fica escrevendo essas coisas no face e nos blogs que ninguém lê, achando que tá mudando o Brasil, enquanto esses caras costuram, diariamente, no café, no almoço e na janta, a teia que tece a opinião pública sobre os assuntos mais importantes.


24.1.14

Nós debatemos e debatemos bem

minhas conclusões sobre o seminário do último dia 22, no IFRN, que debateu violência policial, desmilitarização e direitos humanos:





nós debatemos e debatemos bem.

conhecemos um pouco da história das nossas polícias e esmiuçamos a lógica militar que engendra o modus operandi dessa instituição, composta de cidadãos comuns , tão normais quanto qualquer um de nós.

lançamos nosso olhar crítico desde o momento inicial do treinamento desumano pelo qual passam todos aqueles que almejam ser policiais, até o instante em que o PM ,na ponta, age com extrema violência contra aqueles que estão abaixo dele na lógica de hierarquia e obediência.

chamamos a atenção, e este constitui um ponto central, pro fato de que não é sobre qualquer cidadão que recai o peso da violência policial. pois a lógica militar opera contra um inimigo e na sociedade brasileira, este inimigo tem cor, classe social e território específico: o pobre negro de periferia.

lembramos de Amarildo que habitou todos esses lugares sociais de opressão, e que hoje habita nosso imaginário de resistência e luta.

denunciamos as violações de direitos humanos dos próprios policiais, estes que quase sempre vem dos mesmos lugares sociais marginalizados.

reconhecemos que a desmilitarização, só e somente,  não resolve todos os nossos problemas.

apontamos responsáveis, nos colocamos como responsáveis. pois o conjunto da sociedade brasileira cria e legitima a policia que tem.

nos demos conta, o que pra mim é a coisa mais importante de acontecer, que a gente nunca tinha pensado que outra polícia é possível. 

por fim, concluímos que, sim, é possível que nós que construímos esta instituição violadora de direitos humanos básicos, dos próprios policiais e dos cidadãos mais pobres, construamos uma outra polícia, cidadã, em harmonia com uma sociedade verdadeiramente democrática. 



20.1.14

Peba jacaré e o direito dos "mano"

Só há uma grande diferença entre a situação e a oposição em Santa Cruz.

Sobre isso, pode-se até formular um paradigma. Tipo uma lei de nossa praxes política, da qual ninguém pode fugir, que é a seguinte:

A vida política na cidade santuário, salvo raras exceções, é feita por pessoas que amam o deputado do teleférico e pessoas que odeiam o deputado do teleférico. Uma galera que “tá de boa” com a prefeitura na mão e outra que tá frustradíssima por que não pode participar da farra da distribuição de cargos, favores e esquemas com o dinheiro público.

Nada de lutar pela coisa pública e pelo interesse coletivo. Muito menos pautar o debate político em torno de questões fundamentais pra consolidação da democracia brasileira, como, só pra ficar num exemplo, a agenda da desmilitarização das nossas polícias.

Na vera, esse povo tem, tipo, tudo em comum, apesar de cinicamente afirmarem o contrário.

Basta ver que quase todos eles tem/tiveram os mesmos padrinhos políticos e por muitos anos estiveram do mesmo lado. 

Por que, por mais que morram dizendo que são diferentes, pebas de jacarés, a sua cartilha ideológica reza o mesmíssimo pai-nosso, desde muito tempo. 

Ambos são contra a corrupção, a favor do extermínio das muriçoca (tá foda mesmo), odeiam os paredões que seus filhos ostentam no meio da rua, vão a missa aos domingos e aos cultos num sei que dia, ganharam uns "dinheiro honesto" com os esquemas de pirâmides e ficam p da vida com o que adoram chamar de direito dos "mano".

Uma tragédia de consenso político ideológico que lança sobre as desigualdades gritantes de nossa cidade, o peso da eternidade.


1.1.14

Do blog da PM a festa das "personalidades"

Pros classe média "vc faz o seu destino", aquela ruma de negro pobre no blog da PM escolheu tá ali. Assim como as ilustres pessoas brancas das famílias de classe média de Santa Cruz fazem por merecer toda a nobreza por elas ostentada nas tradicionais festas das personalidades. Tudo uma questão de escolha, não é mesmo?